A transição fora tranquila, havia trocado de mundos e agora estava em um lugar onde a noite já havia chegado. O Sol não mais queimava sua pele. O céu estava estranho, ou ao menos lhe parecia assim, tinha um coloração diferente do habitual. Nuvens pareciam tumultuar provocando um movimento turbulento, algo que lembrava muito o mar, parecia água após uma tempestadade, cor de terra. O vento completava o cenário, dando movimento a paisagem, que transmitia um movimento revolto e sombrio.
Sabia que chegara ali com um objetivo, mas não conseguia lembrar, algo bloqueava sua mente. As lembranças de seu mundo sumiam de mansinho, e os poucos lampejos que tinham eram reflexos de uma situação no mundo atual. Estava perdida, não sabia onde estava nem o que fazer. Olhava para a estrela desenhada em seu pulso, uma marca de seu mundo, de seu tempo, mas sem passado, sua missão tinha algo com o desenho. O medalhão que carregava possuía a mesma marca, a diferença é que esta brilhava, e sabia que se a esfregasse e pensasse em casa, estaria de volta a seu mundo. Neste momento, um calafrio percorreu lhe o corpo. Se esquecesse de sua casa, não poderia voltar!
Precisava sair dali, e procurou pelo melhor caminho, olhou novamente a estrela do medalhão, e esta tinha apenas uma das pontas brilhando. Sabia que ela lhe indicava o caminho. Não lembrava de sua missão, mas ao menos seria guiada para ela. E assim iniciou sua caminhada rumando para o leste, em direção as montanhas e, ao que parecia, uma tempestade de areia.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Encontro com Saturno
Estava na estrada, num desses momentos em que dirigia apenas pelo prazer, sem rumo certo, apenas para reflexão... A constante na estrada costuma trazer conclusões rápidas, onde um devaneio não pode durar mais de dois segundos. Com a atenção dobrada, é fácil esvaziar a mente, e conseguir concentrar-se para o que realmente importa.
Não foi diferente nesse dia, havia entrado em conflito após fazer algumas contas, quando resolvi refletir o por que desse 'balanço' nunca equilibrar-se. Tudo estava confuso, de repente ouvia vozes fazendo perguntas e mais perguntas, cujas respostas eu sabia, mas tinha vergonha de pronunciá-las: o que você fez, o que você tem, o que você é, o que pretende mudar, o que pretender ganhar, aonde quer chegar?? Elas assolavam meu ego, a negativa não saia de minha mente, de meu ser... Nada! Nada! Nada! E... Não sei, não sei, não sei... O odioso não saber, que paralisa muitos e assusta outros tantos que chegam nessa passagem. Lembrei-me de Atreiú (História sem fim) quando tenta passar pelas esfinges - "somente aquele com o coração sincero consegue passar..." e qualquer dúvida sobre sua coragem, seu ser, pode impedí-lo de passar, e seu caminho ter um fim não desejado.*
Comecei a buscar um lugar para parar um pouco e tomar um bom e forte café, pois percebi que o passeio daquele dia iria durar um pouco mais do que de costume. Não conhecia a estrada, levei quase meia hora para encontrar um lugar aberto, claro, sempre faço essas viagens a noite, é como uma proteção. O estacionamento estava praticamente vazio, podia chegar a algumas conclusões: ninguém mais com insônia ou o café seria uma droga. Bem, não tinha escolha, parei ali mesmo. Pedi o café, e voltei ao carro devagar, notei alguém sentado perto, na guia. Entrei no carro, mas minha atenção voltou-se para a figura parada próximo ao carro, era um velho, ou alguém que aparentava ser velho, e brincava com um isqueiro. Não fechei a porta, virei-me em sua direção, e ofereci o café, que foi recusado rapidamente. Iria deixá-lo ali, o que me importava, tinha outras coisas a buscar, refletir, que diferença faria??
- A diferença está em como encaramos tudo... a vida, os problemas, as pessoas...
- O que? O Senhor está falando comigo?!?!?!?
- Tem mais alguém aqui?
Ok. Entendi. Agora mendigos leem pensamentos, e respondem as grandes dúvidas da humanidade, ou sei lá, simplesmente do meu insignificante ser...
- Insignificante é a maneira como Você decidiu se enxergar!
- Ok. E posso saber quem é você ?
- Isso não importa agora, importa quem é Você! Não importa nem a maneira como me vê, mas atente ao fato que posso ser apenas um espelho... Eu sou o que sou, e Você, é o que é? O Tempo não pode ser recuperado, então, por que perdê-lo buscando o que já encontrou? Todas as perguntas, tornam-se respostas um dia, mas quando viram respostas, as perguntas mudaram e a isso chamamos ciclo. E o ciclo nunca pára, não importa onde você esteja. O problema, não são as perguntas, mas o que Você faz com as respostas.
Entrei no carro, havia encontrado respostas demais para uma viagem só, olhei pelo retrovisor, e como já esperava, o velho não estava lá. Até a próxima, pois agora, estou indo pra casa. Quem sabe fazer mais perguntas...
----
* "...a Porta do Grande Enigma..., ...as duas esfinges. Essa porta está sempre aberta... O que é lógico. Não tem batentes. Apesar disso, ninguém pode passar para o outro lado, a menos que..., as esfinges fechem os olhos. E sabe por quê? Porque o olhar de uma esfinge é totalmente diferente do olhar de qualquer outro ser. Nós e todos os outros seres olhamos para alguma coisa. Vemos o mundo. Mas uma esfinge não vê nada: em certo sentido, é cega. Em contrapartida, seus olhos transmitem algo. E o que seu olhar transmite? Todos os enigmas do mundo. Por isso, as duas esfinges estão sempre a olhar uma para a outra. Porque só uma esfinge pode suportar o olhar de outra esfinge. E agora imagine o que será de uma pessoa que se atreva a interferir na troca de olhares entre ambas! Fica ali, petrificada, e não poderá mover-se antes de ter decifrado todos os enigmas do mundo."
(História Sem Fim, de Michael Ende)
Não foi diferente nesse dia, havia entrado em conflito após fazer algumas contas, quando resolvi refletir o por que desse 'balanço' nunca equilibrar-se. Tudo estava confuso, de repente ouvia vozes fazendo perguntas e mais perguntas, cujas respostas eu sabia, mas tinha vergonha de pronunciá-las: o que você fez, o que você tem, o que você é, o que pretende mudar, o que pretender ganhar, aonde quer chegar?? Elas assolavam meu ego, a negativa não saia de minha mente, de meu ser... Nada! Nada! Nada! E... Não sei, não sei, não sei... O odioso não saber, que paralisa muitos e assusta outros tantos que chegam nessa passagem. Lembrei-me de Atreiú (História sem fim) quando tenta passar pelas esfinges - "somente aquele com o coração sincero consegue passar..." e qualquer dúvida sobre sua coragem, seu ser, pode impedí-lo de passar, e seu caminho ter um fim não desejado.*
Comecei a buscar um lugar para parar um pouco e tomar um bom e forte café, pois percebi que o passeio daquele dia iria durar um pouco mais do que de costume. Não conhecia a estrada, levei quase meia hora para encontrar um lugar aberto, claro, sempre faço essas viagens a noite, é como uma proteção. O estacionamento estava praticamente vazio, podia chegar a algumas conclusões: ninguém mais com insônia ou o café seria uma droga. Bem, não tinha escolha, parei ali mesmo. Pedi o café, e voltei ao carro devagar, notei alguém sentado perto, na guia. Entrei no carro, mas minha atenção voltou-se para a figura parada próximo ao carro, era um velho, ou alguém que aparentava ser velho, e brincava com um isqueiro. Não fechei a porta, virei-me em sua direção, e ofereci o café, que foi recusado rapidamente. Iria deixá-lo ali, o que me importava, tinha outras coisas a buscar, refletir, que diferença faria??
- A diferença está em como encaramos tudo... a vida, os problemas, as pessoas...
- O que? O Senhor está falando comigo?!?!?!?
- Tem mais alguém aqui?
Ok. Entendi. Agora mendigos leem pensamentos, e respondem as grandes dúvidas da humanidade, ou sei lá, simplesmente do meu insignificante ser...
- Insignificante é a maneira como Você decidiu se enxergar!
- Ok. E posso saber quem é você ?
- Isso não importa agora, importa quem é Você! Não importa nem a maneira como me vê, mas atente ao fato que posso ser apenas um espelho... Eu sou o que sou, e Você, é o que é? O Tempo não pode ser recuperado, então, por que perdê-lo buscando o que já encontrou? Todas as perguntas, tornam-se respostas um dia, mas quando viram respostas, as perguntas mudaram e a isso chamamos ciclo. E o ciclo nunca pára, não importa onde você esteja. O problema, não são as perguntas, mas o que Você faz com as respostas.
Entrei no carro, havia encontrado respostas demais para uma viagem só, olhei pelo retrovisor, e como já esperava, o velho não estava lá. Até a próxima, pois agora, estou indo pra casa. Quem sabe fazer mais perguntas...
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* "...a Porta do Grande Enigma..., ...as duas esfinges. Essa porta está sempre aberta... O que é lógico. Não tem batentes. Apesar disso, ninguém pode passar para o outro lado, a menos que..., as esfinges fechem os olhos. E sabe por quê? Porque o olhar de uma esfinge é totalmente diferente do olhar de qualquer outro ser. Nós e todos os outros seres olhamos para alguma coisa. Vemos o mundo. Mas uma esfinge não vê nada: em certo sentido, é cega. Em contrapartida, seus olhos transmitem algo. E o que seu olhar transmite? Todos os enigmas do mundo. Por isso, as duas esfinges estão sempre a olhar uma para a outra. Porque só uma esfinge pode suportar o olhar de outra esfinge. E agora imagine o que será de uma pessoa que se atreva a interferir na troca de olhares entre ambas! Fica ali, petrificada, e não poderá mover-se antes de ter decifrado todos os enigmas do mundo."
(História Sem Fim, de Michael Ende)
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Em 15 de março de 2007
Siga a trilha, disse o velho homem, e assim o fiz, trilhei por muito tempo, apenas querendo chegar ao fim, o velho havia dito que ao final do caminho eu encontraria algo grandioso, sublime, mas até então, não sabia aonde estava ou se faltava muito. Já estava a ponto de desistir, parar com toda essa loucura, já que não fazia mais sentido minha busca, pois já não sabia mais o que buscava, queria desistir, sentia me derrotado, triste, enfim, eu não teria a satisfação dos que chegam, a felicidade dos que encontram, o júbilo dos que vencem...
Estava assim, quando ele me encontrou...
Corpo de criança, vitalidade de um jovem e sabedoria de um ancião, assim o era. E foi nesse momento que acordei...
Conversamos por horas, nunca havia levado "sermão" duma criança, nunca chorei tanto, pois cai em mim, percebi o quanto havia perdido e o quanto estava perdendo, ele me resgatou, disse que ainda me restava uma chance. Ainda ecoam em mim suas últimas palavras "a busca NUNCA acaba..."
Voltei a trilha, mas não mais tinha a mesma visão, aprendi que a busca era contante e que a todo momento poderia encontrar e descobrir coisas. Reparei na vida que nela havia, percebi os pequenos milagres, as providências, tinha sempre tudo o que precisava, o longo caminho sobre essa nova perspectiva tornava-se mais prazeroso. Mesmo as pedras, espinhos, tempestades tinham um novo aspecto. Apareciam como um desafio a ser superado. Cada vitória era muito bem vinda. Foi por causa dele, na figura de uma criança que aprendi. O momento mais importante de qualquer caminho, é sempre o momento presente, na ansiedade de logo chegar, estava perdendo o mais importante: o agora.
Nesse momento, não mais me importando com o fim, e sim com o meio, cheguei aonde queria. E já maravilhado com o TODO o caminho, não podia acreditar que algo pudesse me trazer satisfação maior.
Mergulhei, no mais profundo de meu ser e assim, vi, que o velho homem sabia o que estava dizendo, fiquei sem palavras, fui levado para longe, o fim da trilha tinha tornado-se imenso. Num instante me vi mergulhado no Universo, tão imenso, vi a Terra ao longe, conheci a grandiosidade do Universo, suas constelações, galáxias, nebulosas, não vi o fim, não via o meio nem o início.
Comecei a voltar, e vi minha tão estimada via Láctea, como uma nuvem rosa e verde. Adentrei sem medo, sabia o que queria, sabia que tinha encontrado, meu coração bateu mais forte, sabia que podia TUDO, que tinha tudo, que o Universo estava em mim. Vi o que chamo de meu mundo, a Terra, senti muito carinho nesse momento e foi como se pudesse carregá-la no colo e cuidar como uma criança, o mundo estava em minhas mãos, pude sentir seu calor, sua dor, suas alegrias e suas tristezas. Até que ouvi, uma voz doce, não era possível, tão doce quanto a voz de minha mãe, Gaia chamava por mim, pedia por minha presença, senti que o mundo também estava em mim, e vi o quanto precisava dele também, havia uma troca. Atendi ao chamado e desci, já não mais temia nada, o Universo me apoiava e tinha o mundo não só em minhas mãos, mas também e meu coração...
Estava assim, quando ele me encontrou...
Corpo de criança, vitalidade de um jovem e sabedoria de um ancião, assim o era. E foi nesse momento que acordei...
Conversamos por horas, nunca havia levado "sermão" duma criança, nunca chorei tanto, pois cai em mim, percebi o quanto havia perdido e o quanto estava perdendo, ele me resgatou, disse que ainda me restava uma chance. Ainda ecoam em mim suas últimas palavras "a busca NUNCA acaba..."
Voltei a trilha, mas não mais tinha a mesma visão, aprendi que a busca era contante e que a todo momento poderia encontrar e descobrir coisas. Reparei na vida que nela havia, percebi os pequenos milagres, as providências, tinha sempre tudo o que precisava, o longo caminho sobre essa nova perspectiva tornava-se mais prazeroso. Mesmo as pedras, espinhos, tempestades tinham um novo aspecto. Apareciam como um desafio a ser superado. Cada vitória era muito bem vinda. Foi por causa dele, na figura de uma criança que aprendi. O momento mais importante de qualquer caminho, é sempre o momento presente, na ansiedade de logo chegar, estava perdendo o mais importante: o agora.
Nesse momento, não mais me importando com o fim, e sim com o meio, cheguei aonde queria. E já maravilhado com o TODO o caminho, não podia acreditar que algo pudesse me trazer satisfação maior.
Mergulhei, no mais profundo de meu ser e assim, vi, que o velho homem sabia o que estava dizendo, fiquei sem palavras, fui levado para longe, o fim da trilha tinha tornado-se imenso. Num instante me vi mergulhado no Universo, tão imenso, vi a Terra ao longe, conheci a grandiosidade do Universo, suas constelações, galáxias, nebulosas, não vi o fim, não via o meio nem o início.
Comecei a voltar, e vi minha tão estimada via Láctea, como uma nuvem rosa e verde. Adentrei sem medo, sabia o que queria, sabia que tinha encontrado, meu coração bateu mais forte, sabia que podia TUDO, que tinha tudo, que o Universo estava em mim. Vi o que chamo de meu mundo, a Terra, senti muito carinho nesse momento e foi como se pudesse carregá-la no colo e cuidar como uma criança, o mundo estava em minhas mãos, pude sentir seu calor, sua dor, suas alegrias e suas tristezas. Até que ouvi, uma voz doce, não era possível, tão doce quanto a voz de minha mãe, Gaia chamava por mim, pedia por minha presença, senti que o mundo também estava em mim, e vi o quanto precisava dele também, havia uma troca. Atendi ao chamado e desci, já não mais temia nada, o Universo me apoiava e tinha o mundo não só em minhas mãos, mas também e meu coração...
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