Tive este sonho no domingo do dia da mães, a data explica algumas sensações...
Estava entrando numa casa, e rumava para o quintal, onde sabia que todos estavam, era um encontro de família, ao passar pela última porta, vejo minha avó parada, com um vestido conhecido e um sorriso no rosto. Como nos outros sonhos com ela, após sua passagem, apenas eu conseguia vê-la. Fiquei muito feliz, não cabia em mim, fui abraçá-la, desejei-lhe feliz dia das mães, e comentei o fato de que fazia tempo que não nos víamos (em sonho mesmo). Adorei a visita surpresa, não estava esperando, acho que de tanta felicidade do reencontro, ela falou (em outras ocasiões era apenas uma troca de olhares ou pensamentos). Guardo suas palavras como o nectar da mais rara flor: "Vim para te ensinar uma coisa".
Após dizer isso me conduziu para o fogão, onde ela comandou, acendeu o fogo e começou a falar de sua infancia. O fogão era antigo, desses que morro de medo de ligar, só funcionam com fósforo, senti o alívio dela estar ali, e realizou a tarefa com a maior simplicidade. Ela contou que sempre fazia isso quando ia receber, e que quando sentia saudades, fazia apenas pelo prazer da realização. Uma cebola foi descascada, e eu apenas observando, uma panela foi preparada com azeite extra-virgem (não estou exagerando nos detalhes, sentia o cheiro), e no seu tempo, as rodelas começaram a gritar em contato com o calor do azeite. Enquanto fritava, ela mencionou seu tempo antes de vir ao Brasil, e seu tempo de solteira, cuja lembrança era mais forte, lembranças que já não faziam mais parte de seu ser, a liberdade, a nostalgia, o agora lhe eram diferentes. Algumas coisas eu me impressionava, riamos, percebi o quão pouco a conhecia, também, 15 anos não é absolutamente nada, comparados com 80. Acordei feliz, pelo abraço, pela conversa, e meu filho me dizendo que na tv dele já era dias das mães.
terça-feira, 11 de maio de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O Louco
Caminhava apressadamente sem saber aonde iria chegar, quando sem muito aviso a trilha mudou seu curso, levando para o Leste. Parei, quando avistei o vale, a descida era íngreme, e minha motivação não era descer por ali tão rápido como estava cursando o caminho até então.
Fiquei ali por um bom tempo, talvez dias, avaliando o quão trabalhosa seria a descida, depois teria que atravessar o vale, não podia ver como seria a trilha quando chegasse ao fundo. Ali onde estava, poderia ser simplesmente o final, ou se meu coração pedisse, podia transformá-lo em um novo começo.
Luas se passaram, a trilha que descia ao vale estava sumindo em meio a vegetação que ali crescia na Primavera, mas o local onde estava era seguro, possuía várias rochas, e algumas formavam galerias que levavam a cavernas, ótimo abrigo para o Inverno. As castanhas eras colhidas e guardadas para o frio, algumas frutas viravam compotas, o lugar era cômodo, seguro, mas algo faltava. A visão da trilha, incomodava, evitava olhar para ela, como se ela indicasse uma derrota pela caminho não seguido. Corri tanto, para parar ali?
O caminho teria que ser iniciado novamente, pois aquele não era o fim sonhado.
Foi em uma manhã fresca de Outono, época em que a trilha voltava a ficar vísivel novamente, seu tom amarelado a tornava atraente, quando tomei uma decisão: sairia dali na próxima lua crescente, teria várias noites claras pela frente, chegaria ao final da trilha antes do Inverno. Algumas coisas foram organizadas as pressas, mas não havia tempo. Seria loucura iniciar o caminho de tal modo, mas era loucura parar ali por tantas estações. Meu coração bateu aliviado estava feliz em voltar a viver.
Minha alegria começou no dia da descida, não fazia idéia do que encontrar, e era exatamente isso que tornava a viagem interessante. Muito foi deixado para trás, levava em minha bagagem apenas o essencial, pães e geléia, água, cobertor, um punhal, e claro, alguns grãos de café... deveria seguir o caminho do rio, mas não podia ver se ele acompanhava a trilha toda, o importante, era deixar para trás tudo que pudesse atrapalhar a viagem. Entregue ao desconhecido, loucura seria não seguir adiante.
Feliz! O caminho voltou ao seu início novamente, quem disse que seria fácil? Íngreme, rochas soltas, a vontade de voltar, lama, escorregões... quem saberia o quanto duraria... seguir, neste momento, era a única meta.
Deixe-me em minha insanidade, ou partilhe dela comigo, o cálice deve estar vazio, para ser preenchido novamente.
Gatos no caminho
Estávamos com bicicletas, eu, meu irmão, e mais algumas crianças, dentre elas, o Gi e uma garotinha de cabelo cacheado e blusa rosa. Ela mais falava e corria na frente de todos (as crianças não estavam de bicicleta). Estávamos fazendo o mesmo caminho, todas as vezes passávamos nos mesmos lugares... era o bairro de minha infância, mas as ruas eram de terra, o que dificultava o caminho em alguns trechos... após o contorno de uma pracinha, havia uma subida com muitas valetas, várias vezes subi empurrando, mas depois consegui subir normalmente, após isso, era passagem obrigatória passarmos dentro de uma casa 'abandonada', onde havia um salão, e duas portas que levavam a mesma sala. Ouvimos miados, e decidimos abrir as portas para salvar os gatos. Uma das portas não abriu, mas a outra abriu facilmente.
O ambiente que vimos estava escuro, mas víamos olhos brilhantes olhando na direção da porta aberta, eram gatos, diversos, em tamanhos e cores variadas. Subiam e desciam nos moveis que ali havia, parecia uma antiga sala de jantar com uma uma mesa grande, mas sem cadeiras, apesar de escuro, passei a ver e sentir os gatos, brincando em meus pés e pernas. Os gatos pareciam saudáveis, ao contrário do que imaginávamos, pois a casa estava fechada. Começamos a procurar outra saída naquela sala, e mais ao fundo, uma porta que não fechava mais, apontava para uma escada, aonde encontramos uma janela ao alto. Saímos por ali, voltamos as ruas de terra, e a andar de bicicleta, passamos por uma escola, com várias crianças brincando no parquinho, e fazendo algazarra. Nossas crianças, não quiseram ficar ali, queriam voltar para ficarem com os gatos.
Continuamos em frente, mas como disse, o caminho era cíclico, e voltamos ao mesmo lugar, a praça, a ladeira com valas, e a casa novamente. Chegamos com comida para os gatos, encontramos outras saídas, passamos pela escola, que ficou vazia, o caminho ficava diferente, mas sempre levava ao mesmo lugar, a praça, a ladeira, valas maiores, e a casa, com mais gatos, quando comecei a contá-los, acordei...
O ambiente que vimos estava escuro, mas víamos olhos brilhantes olhando na direção da porta aberta, eram gatos, diversos, em tamanhos e cores variadas. Subiam e desciam nos moveis que ali havia, parecia uma antiga sala de jantar com uma uma mesa grande, mas sem cadeiras, apesar de escuro, passei a ver e sentir os gatos, brincando em meus pés e pernas. Os gatos pareciam saudáveis, ao contrário do que imaginávamos, pois a casa estava fechada. Começamos a procurar outra saída naquela sala, e mais ao fundo, uma porta que não fechava mais, apontava para uma escada, aonde encontramos uma janela ao alto. Saímos por ali, voltamos as ruas de terra, e a andar de bicicleta, passamos por uma escola, com várias crianças brincando no parquinho, e fazendo algazarra. Nossas crianças, não quiseram ficar ali, queriam voltar para ficarem com os gatos.
Continuamos em frente, mas como disse, o caminho era cíclico, e voltamos ao mesmo lugar, a praça, a ladeira com valas, e a casa novamente. Chegamos com comida para os gatos, encontramos outras saídas, passamos pela escola, que ficou vazia, o caminho ficava diferente, mas sempre levava ao mesmo lugar, a praça, a ladeira, valas maiores, e a casa, com mais gatos, quando comecei a contá-los, acordei...
terça-feira, 16 de março de 2010
Eremita
Fui atrás de conhecimento, e minhas descobertas apontavam para um lugar, que ainda não conheço. Consegui chegar, ao que parecia um parque, poucas árvores, alguns bancos, estava vazio, pouquíssimas pessoas circulavam por ele. Identifiquei meu contato, e o segui de longe, era um jovem, não via mais do que sua silhueta, apenas sabia que deveria seguí-lo. Estava ali para isso, havia pedido por isso. (não pergunte !!).
Quando o rapaz parou, consegui me aproximar, mas mesmo assim não o vi, ele montava um ambiente sagrado, juntava objetos mágicos, lembro-me bem da taça e do athame. Eu apenas olhava, sentei o mais próximo que pude, e esperava novas instruções. Apesar de observar atentamente, sem que eu notasse, ele retirou uma lâmina do tarô e me entregou, sem palavras, apenas nos entendemos com o olhar, toda a simbologia já dizia tudo. O arcano que me foi entregue: o Eremita. Observei o por segundos e o trouxe para a 'minha' realidade, tentei guardar/trazer o mais que pude, mas a única coisa que continuava martelando, era o arcano em minhas mãos.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Praia
Desembarquei de um ônibus na areia da praia, lá encontrei alguns amigos, e ali estavam o Wolf e o Val, estava cedo e teríamos que esperar pela chegada dos outros. Por estarmos na praia, imaginei que seria uma iniciação.
Sentamos em direção ao mar, estava calmo, era noite, estava escura, sem lua, algumas estrelas, mas nenhuma se destacava, a brisa estava suave, e o cheiro do mar trazia saudades. Enquanto eu 'viajava', Wolf apareceu com um bolo (nem pergunte aonde estava!), eram um daqueles bolos que substituem panetones, para quem não gosta de panetone. Parecia que o bolo havia chegado em boa hora, estava macio, e ainda posso sentir a doçura do açúcar de confeiteiro no qual ele é rodeado. Acho que acabamos com o bendito bolo, conversa vai conversa vem, Wolf não estava tranquilo, parecia inquieto, mas nada disse, e nada perguntei.
Quando o vento começou a ficar mais forte, o Val chamou nos ao longe, ele estava acompanhado de um pastor alemão enorme, mas parecia manso, e começou a correr em uma dada direção. Sabíamos que era por ali que deviámos ir, porém, foi como se uma cortina de água nos impedisse, e uma chuva forte caiu sem dó, não consegui mais enxergar para onde deveria ir, o mar estava ficando agitado, e na tempestade corremos na direção que parecia oposta ao mar. A chuva estava gelada, e neste momento tive receio de não conseguir chegar aonde queria.
Acordei preocupada.
Sentamos em direção ao mar, estava calmo, era noite, estava escura, sem lua, algumas estrelas, mas nenhuma se destacava, a brisa estava suave, e o cheiro do mar trazia saudades. Enquanto eu 'viajava', Wolf apareceu com um bolo (nem pergunte aonde estava!), eram um daqueles bolos que substituem panetones, para quem não gosta de panetone. Parecia que o bolo havia chegado em boa hora, estava macio, e ainda posso sentir a doçura do açúcar de confeiteiro no qual ele é rodeado. Acho que acabamos com o bendito bolo, conversa vai conversa vem, Wolf não estava tranquilo, parecia inquieto, mas nada disse, e nada perguntei.
Quando o vento começou a ficar mais forte, o Val chamou nos ao longe, ele estava acompanhado de um pastor alemão enorme, mas parecia manso, e começou a correr em uma dada direção. Sabíamos que era por ali que deviámos ir, porém, foi como se uma cortina de água nos impedisse, e uma chuva forte caiu sem dó, não consegui mais enxergar para onde deveria ir, o mar estava ficando agitado, e na tempestade corremos na direção que parecia oposta ao mar. A chuva estava gelada, e neste momento tive receio de não conseguir chegar aonde queria.
Acordei preocupada.
Perdidos
Freya e seu grande amigo Wolf dirigiam se ao sabá que ajudariam a conduzir no lugar de costume, não era Samhain contudo era de igual importância. Rumavam ao costumeiro clube de campo, mas, para dar realidade ao sonho, se perderam no caminho e um desvio que devia ser idêntico ao correto os confundiu.
Sem perceberem, continuaram seguindo até que a estrada acabou, e bem, não era exatamente o esperado. Depararam com uma antiga casa, e como estavam com tempo, decidiram que não haveria mal algum em checar o local. Tudo parecia abandonado, o que os motivou a 'xeretarem', e até mesmo a entrarem na casa. O estranho foi ao passarem pela porta, onde tudo tomou vida, a casa parecia ter sido deixada pelos donos que voltariam a qualquer momento, o fogão a lenha esquentava água, e de seu forno exalava um cheiro de pão quase pronto. Galinhas e outros animais domésticos andavam pelo terreno que ganhou vida como num passe de mágica. A mesa no que parecia uma sala de jantar emendada à rústica cozinha, deixando claro o ar de interior, com seus longos bancos ao redor, estava posta, como quem espera uma visita. Flores frescas enfeitavam o lugar e o perfumavam. O rangido da escada despertou os visitantes, na verdade intrusos, que espantados viram um garoto de muletas descendo por elas. Ele sorria e disse que estavam apenas nos esperando. (Como assim? Quem estavAM?)
Pela cozinha, antes vazia, um casal já com certa idade apareceu, retirando o pão do forno e o colocando à mesa, assim como o aromático chá. Duas outras crianças chegaram, com sua alegria e zuação e logo se sentaram; espantados, mas totalmente acolhidos, sem esforço algum, o tempo foi esquecido. Apesar de parecer que apenas alguns minutos haviam se passado, no momento em que lembraram que deviam estar em outro lugar notaram que tinham apenas 10 minutos. A família não podia ajudar, nosso destino lhes era estranho, nos despedimos.
De volta a estrada, a casa, bom não sei, a recomendação de não olhar para trás foi atendida, Freya com toda tecnologica propos usarem o GPS. Claro, seria útil, para o caso de saberem o endereço de destino. Freya sabia que estava no convite, em algum lugar, mas... acho que joguei meu filho da cama /o\
(Como ele apareceu aqui??)
Sem perceberem, continuaram seguindo até que a estrada acabou, e bem, não era exatamente o esperado. Depararam com uma antiga casa, e como estavam com tempo, decidiram que não haveria mal algum em checar o local. Tudo parecia abandonado, o que os motivou a 'xeretarem', e até mesmo a entrarem na casa. O estranho foi ao passarem pela porta, onde tudo tomou vida, a casa parecia ter sido deixada pelos donos que voltariam a qualquer momento, o fogão a lenha esquentava água, e de seu forno exalava um cheiro de pão quase pronto. Galinhas e outros animais domésticos andavam pelo terreno que ganhou vida como num passe de mágica. A mesa no que parecia uma sala de jantar emendada à rústica cozinha, deixando claro o ar de interior, com seus longos bancos ao redor, estava posta, como quem espera uma visita. Flores frescas enfeitavam o lugar e o perfumavam. O rangido da escada despertou os visitantes, na verdade intrusos, que espantados viram um garoto de muletas descendo por elas. Ele sorria e disse que estavam apenas nos esperando. (Como assim? Quem estavAM?)
Pela cozinha, antes vazia, um casal já com certa idade apareceu, retirando o pão do forno e o colocando à mesa, assim como o aromático chá. Duas outras crianças chegaram, com sua alegria e zuação e logo se sentaram; espantados, mas totalmente acolhidos, sem esforço algum, o tempo foi esquecido. Apesar de parecer que apenas alguns minutos haviam se passado, no momento em que lembraram que deviam estar em outro lugar notaram que tinham apenas 10 minutos. A família não podia ajudar, nosso destino lhes era estranho, nos despedimos.
De volta a estrada, a casa, bom não sei, a recomendação de não olhar para trás foi atendida, Freya com toda tecnologica propos usarem o GPS. Claro, seria útil, para o caso de saberem o endereço de destino. Freya sabia que estava no convite, em algum lugar, mas... acho que joguei meu filho da cama /o\
(Como ele apareceu aqui??)
sábado, 25 de outubro de 2008
A menina do armário
Larissa despediu-se de seus pais, e foi para seu quarto, já era noite, algo em torno de onze horas. E como dizem, já era hora de criança estar na cama, dormindo, mas isso não era para Larissa, já com seus cinco anos, adorava fechar se no quarto e fingir dormir cedo. Adorava ficar desenhando ou folheando alguns de seus livros.
Neste dia não seria diferente, sentou-se na cama, e pegou algumas folhas de papel, pois hoje estava com vontade de desenhar, mas algo a incomodou, uma porta aberta no armário, levantou-se, e meio sem saber porque, correu a fechar a porta. Sua avó lhe havia contado várias histórias e lendas sobre os seres que habitavam o armário e que deveria sempre deixar fechado, principalmente durante a noite.
- Engraçado - sussurrou Larissa - vovó deve me ter dito isso, para eu sempre manter as portas fechadas e de certa forma, meu quarto arrumado, se existisse alguém ai dentro, com certeza eu já teria visto. Poxa, e eu acreditei direitinho!! Quer saber? Hoje não vou fechar porta coisa nenhuma!
E assim, voltou para a cama deixando a porta de seu armário aberta.
Seu quarto estava a meia luz, iluminado apenas por um abajur próximo a cabeceira de sua cama, o suficiente para enxergar os traços de seus desenhos. Um quarto nitidamente infantil, com um mural de desenhos em uma das paredes, uma prateleira com bonecas e pelúcias, livros infantis, e vários brinquedos. Um baú enorme a um canto guardava todo o resto, mas de tão cheio, mal fechava.
- Tenho que desenhar isso rápido, antes que eu me esqueça dos detalhes.
Larissa havia tido um sonho naquela tarde, e estava ansiosa para que anoitecesse para que pudesse colocar no papel o que vira, era um lugar muito bonito, no alto de uma montanha, ouvira o barulho de um riacho, mas não o vira, o que realmente a impressionou e não queria esquecer, foi a imagem que estava no cume, parecia algo que já vira em alguns dos livros de sua avó, por isso então, queria desenhar, para mostrar-lhe. Quem sabe a avó pudesse esclarecer-lhe de onde estivera.
- PLAFT! – Foi o que fez algumas das coisas que caíram da porta aberta do armário.
Intrigada, Larissa ergueu os olhos, não se assustara, mas era um tanto quanto estranho essas coisas terem caído, afinal, o armário não estava tão cheio assim.
Levantou-se para ver de perto o que havia caído. Algumas blusas estavam no chão, um ou outro brinquedo, um porta jóias, que se espatifou, e um livro, que caiu aberto, virado para baixo. Era um livro de história, um livro que seu pai lhe dera e disse que o guardasse para quando tivesse aprendido a ler. Pegou o livro com cuidado, era um volume grosso, mas parou estática quando virou e observou a foto da página que estava um pouco amassada pela queda.
- Essa foto! Não pode ser, nunca havia reparado nela, mas é exatamente como no meu sonho, os símbolos, as rochas, o lugar só está um pouco diferente, com menos árvores talvez, e é dia na foto. Mas tenho certeza, é isso, foi com esse lugar que sonhei, não é possível! Que lugar é esse? E por que esse livro caiu dessa maneira, justamente na página que eu precisava? Que coincidência é essa? Vovô vive dizendo que coincidências não existem.
Ouviu um riso vindo de dentro do armário pouco iluminado, não conseguiu imaginar o que poderia ser, de todos os seus brinquedos, nenhum fazia barulho similar.
- Quem está rindo? Quem está ai?
Apenas o silencio respondeu, acompanhado apenas do ruído distante e constante que vinha da avenida aonde morava. Curiosa como era, foi logo verificar.
- Imagina, será que tem mesmo alguma coisa no armário? Hei, tem alguém ai? Pode responder, eu não vou fazer mal algum.
Procurou de um lado, procurou de outro lado, e nada. Não havia nada diferente ali dentro, já estava desistindo quando ouviu:
- Atchim.
Larissa arregalou os olhos, tamanho era seu espanto, o espirro veio de muito perto, olhou rápido na direção e viu. Não podia acreditar, havia alguém ali. Uma garota, pouco mais velha, olhos grandes, boca miúda, cabelos pretos e longos. Um turbilhão de pensamentos povoou a mente de Larissa, como aquela menina havia parado ali, o que fazia ali, por que...
A menina parecia espantada, era como se não acreditasse haver sido descoberta. Mas ela deveria saber que Larissa ainda era uma criança, e como toda criança, vê coisas além das visíveis a um velho olhar. Podia ver além, era muito inteligente para a idade, apenas o pai acreditava no que ela contava que via. Sua mãe se assustava, como toda pessoa que teme o que não conhece. E seus avós, ah, esses viviam a contar-lhe histórias cheias de magia, seres encantados, aliás, realmente, pareciam morar num lugar encantado, Larissa adorava visitá-los, tinha muitos amigos diferentes por lá. Mas, e aquela menina, era um ser visível ou invisível? Larissa não agüentava mais de curiosidade, quando bombardeou a menina:
- O que faz dentro do meu armário? Por que está ai? Quem é você?
Neste dia não seria diferente, sentou-se na cama, e pegou algumas folhas de papel, pois hoje estava com vontade de desenhar, mas algo a incomodou, uma porta aberta no armário, levantou-se, e meio sem saber porque, correu a fechar a porta. Sua avó lhe havia contado várias histórias e lendas sobre os seres que habitavam o armário e que deveria sempre deixar fechado, principalmente durante a noite.
- Engraçado - sussurrou Larissa - vovó deve me ter dito isso, para eu sempre manter as portas fechadas e de certa forma, meu quarto arrumado, se existisse alguém ai dentro, com certeza eu já teria visto. Poxa, e eu acreditei direitinho!! Quer saber? Hoje não vou fechar porta coisa nenhuma!
E assim, voltou para a cama deixando a porta de seu armário aberta.
Seu quarto estava a meia luz, iluminado apenas por um abajur próximo a cabeceira de sua cama, o suficiente para enxergar os traços de seus desenhos. Um quarto nitidamente infantil, com um mural de desenhos em uma das paredes, uma prateleira com bonecas e pelúcias, livros infantis, e vários brinquedos. Um baú enorme a um canto guardava todo o resto, mas de tão cheio, mal fechava.
- Tenho que desenhar isso rápido, antes que eu me esqueça dos detalhes.
Larissa havia tido um sonho naquela tarde, e estava ansiosa para que anoitecesse para que pudesse colocar no papel o que vira, era um lugar muito bonito, no alto de uma montanha, ouvira o barulho de um riacho, mas não o vira, o que realmente a impressionou e não queria esquecer, foi a imagem que estava no cume, parecia algo que já vira em alguns dos livros de sua avó, por isso então, queria desenhar, para mostrar-lhe. Quem sabe a avó pudesse esclarecer-lhe de onde estivera.
- PLAFT! – Foi o que fez algumas das coisas que caíram da porta aberta do armário.
Intrigada, Larissa ergueu os olhos, não se assustara, mas era um tanto quanto estranho essas coisas terem caído, afinal, o armário não estava tão cheio assim.
Levantou-se para ver de perto o que havia caído. Algumas blusas estavam no chão, um ou outro brinquedo, um porta jóias, que se espatifou, e um livro, que caiu aberto, virado para baixo. Era um livro de história, um livro que seu pai lhe dera e disse que o guardasse para quando tivesse aprendido a ler. Pegou o livro com cuidado, era um volume grosso, mas parou estática quando virou e observou a foto da página que estava um pouco amassada pela queda.
- Essa foto! Não pode ser, nunca havia reparado nela, mas é exatamente como no meu sonho, os símbolos, as rochas, o lugar só está um pouco diferente, com menos árvores talvez, e é dia na foto. Mas tenho certeza, é isso, foi com esse lugar que sonhei, não é possível! Que lugar é esse? E por que esse livro caiu dessa maneira, justamente na página que eu precisava? Que coincidência é essa? Vovô vive dizendo que coincidências não existem.
Ouviu um riso vindo de dentro do armário pouco iluminado, não conseguiu imaginar o que poderia ser, de todos os seus brinquedos, nenhum fazia barulho similar.
- Quem está rindo? Quem está ai?
Apenas o silencio respondeu, acompanhado apenas do ruído distante e constante que vinha da avenida aonde morava. Curiosa como era, foi logo verificar.
- Imagina, será que tem mesmo alguma coisa no armário? Hei, tem alguém ai? Pode responder, eu não vou fazer mal algum.
Procurou de um lado, procurou de outro lado, e nada. Não havia nada diferente ali dentro, já estava desistindo quando ouviu:
- Atchim.
Larissa arregalou os olhos, tamanho era seu espanto, o espirro veio de muito perto, olhou rápido na direção e viu. Não podia acreditar, havia alguém ali. Uma garota, pouco mais velha, olhos grandes, boca miúda, cabelos pretos e longos. Um turbilhão de pensamentos povoou a mente de Larissa, como aquela menina havia parado ali, o que fazia ali, por que...
A menina parecia espantada, era como se não acreditasse haver sido descoberta. Mas ela deveria saber que Larissa ainda era uma criança, e como toda criança, vê coisas além das visíveis a um velho olhar. Podia ver além, era muito inteligente para a idade, apenas o pai acreditava no que ela contava que via. Sua mãe se assustava, como toda pessoa que teme o que não conhece. E seus avós, ah, esses viviam a contar-lhe histórias cheias de magia, seres encantados, aliás, realmente, pareciam morar num lugar encantado, Larissa adorava visitá-los, tinha muitos amigos diferentes por lá. Mas, e aquela menina, era um ser visível ou invisível? Larissa não agüentava mais de curiosidade, quando bombardeou a menina:
- O que faz dentro do meu armário? Por que está ai? Quem é você?
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